O Imperdível de Los Angeles Ou: O dia em que quase ficámos presos no Griffith Observatory

Há dias disseram-me: “Então diz-me lá do que gostaste em LA”.

 

É um desafio fácil, mas difícil: dizer que Venice é adorável, que a Downtown é aquilo que nunca pensamos que Los Angeles possa ter, que Hollywood não está cheio de loucos e miúdas meio nuas e que Chinatown é outro mundo, onde se comunica mais facilmente em espanhol do que inglês, é a parte fácil. A parte difícil é explicar como é que isso me fez adorar uma cidade que, meses antes, me fazia revirar os olhos quando pensava em passar lá cinco dias.

 

O nosso fim de tarde passado no Griffith Observatory teve, sem sobra de dúvidas, uma forte influência. O Griffith Observatory é um observatório (duh) astronómico, aberto em 1935 e com um monte de história interessante que podem ler aqui. Chega-se lá facilmente de autocarro (sair de lá é outra questão de que já vos falarei) e depois podem andar livremente pelos jardins e pelos vários edifícios, ver as exposições e espreitar pelos telescópios… tudo muito giro, mas não é isso que o faz *a* coisa.

 

 

Fizemos por chegar ao final da tarde, bem a tempo de apanhar o pôr-do-sol e, por obra e graça de alguém que não eu – nem o Ele -, apanhámos uma “Star Party”, uma festa aberta ao público organizada, uma vez por mês, com o apoio de várias sociedades ligadas à astronomia e em que dezenas de astrónomos amadores montam os seus telescópios pelo relvado e mostram… o céu e o que lá há. First win.

 

Durante uma boa hora vimos Vénus e Marte, a Lua e estrelas, ouvimos as conversas dos astrónomos e dos interessados, metemos as mãos na massa em experiências montadas no museu e tirámos fotografias lindas com toda a cidade de Los Angeles aos nossos pés. Sim, porque o Griffith Observatory também é capaz de ser um dos melhores pontos de observação para a cidade, e não só para o céu.

 

 

Depois chegou a altura mágica em que decidimos ficar só na relva a ver o céu a alaranjar cada vez mais, até tudo estar tingido dessa cor, e a conversar. Somos grandes adeptos de fazer o que queremos em viagem, mesmo que isso implique estar horas num sítio qualquer só porque é bonito. Depois de um pôr-do-sol que me pareceu durar horas (a sério, não houve cá 5-7 minutos), decidimos que era altura de apanhar o autocarro de volta.

 

Ah!, já agora, e para referência para o que vão ler a seguir: o observatório está no cimo de um monte, daqueles onde as pessoas dos filmes que se passam em LA vão fazer caminhadas a sério. Daí o subir de autocarro ser importante.

 

Perdemos o autocarro por um minuto, porque depois da preguiça da relva, e apesar de o vermos na paragem, não nos apeteceu correr. Também seria só esperar mais 15 minutos pelo próximo… pois, não. Passaram 15, depois 20, depois 30 minutos e nada de autocarro. ‘A descer todos os santos ajudam’, não é? Foi o que achámos, e decidimos pôr-nos a caminho. Segundo o Google Maps, a caminhada até à estação de metro seria de 44 minutos. Com as nossas pernas, apostámos em 35. Fazia-se.

 

Começámos a descer e, nas primeiras centenas de metros, nada de carros. Alguns minutos depois, ao longe, começamos a ter a visão típica de quem olha para a A5 ao sair do Túnel do Marquês em hora de ponta: uma fila interminável de faróis vermelhos, completamente parados. Mas que raio? Continuámos a descer. As filas, para subir e para descer, estavam imóveis e compactas, e nós sem perceber o porquê daquele entusiasmo todo. Não havia assim tanta gente lá em cima.

 

 

Passámos pelo autocarro que perdemos, e ainda passámos por mais dois a subir (foi nessa altura que percebemos que tínhamos decidido bem), mas continuávamos confusos. Os parques de estacionamento estavam completamente cheios e havia dezenas de voluntários a ajudar os carros a estacionar (na verdade, a tentar voltar para trás, porque estacionar era impossível).

 

Foi só quando chegámos ao sopé do monte que percebemos, já depois de vermos várias minissaias e saltos altos a andar apressadamente à nossa frente: o Griffith Park tem uma “sala de espetáculos”, o Greek Theatre, onde um concerto de música… latina? mexicana? estava no auge – e bastante bem composto, apesar de toda a multidão que ainda estava nos carros a tentar estacionar.

 

Pensámos em ficar, mas não é bem a nossa cena. Foi, sim, mais um daqueles momentos que fazem uma viagem, e uma história de que nos rimos sempre. Ainda bem que desistimos de esperar.

 

Guardar e ler depois



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