O dia em que assistimos à Premier League maltesa

É mais forte do que eu. Mesmo antes de comprar uma viagem – ou mesmo decidir que viagem vou fazer – gosto de perceber quais são as ofertas desportivas que o destino tem para mim. Não que as faça sempre, mas prefiro sempre ir com a informação toda, caso haja uma oportunidade.

 

Apresentação de Equipas

 

Não é surpresa para ninguém, mas Malta não é grande destino para turismo desportivo. Ainda assim, para alguém nascido em meados da década de 80, resiste um certo romantismo de um futebol em que as equipas maltesas se encontravam frequentemente com portuguesas. Além disso, é uma das seleções mais fracas da UEFA. Tudo ajudava a alimentar a curiosidade.

 

Ao contrário de outros destinos citadinos, em que é preciso ter a sorte para a equipa jogar em casa nesse fim de semana, em Malta não é problema. Aconteça o que acontecer, há sempre jogos em dose dupla em dois estádios: o Nacional em Ta’Qali (a cerca de 35 minutos de Valletta de autocarro) e o Victor Tedesco em Hamrun, praticamente às portas de Valletta (1400 metros para quem gosta de se aventurar a pé).

 

A parte mais difícil foi convencer a companheira de viagem que, vá-se lá perceber porquê, não ficou completamente extasiada com a hipótese de se ir ver um jogo, ou mesmo dois seguidos. Percebo-a. Era uma viagem curta, de apenas três dias (ou dois e meio, para ser mais exato) e o horário dos jogos – 14h00 ou 16h00/16h15 – não ajudava. Ainda assim, fomos ver o Pembroke-Floriana, às 14h00, no Victor Tedesco.

 

A curiosidade era grande. Como conhecedor relativamente profundo dos escalões seniores em Portugal, queria perceber em que divisão é que o Floriana, uma das equipas mais históricas em Malta, se enquadraria.

 

Antes, os bilhetes. O estádio está ao nível do nosso Campeonato Portugal – ou mesmo alguns mais confortáveis da Distrital – e havia duas bilheteiras: uma para quem fosse adepto do Floriana ou do Hamrun Spartans e outra para quem era do Pembroke ou do Hibernians (havia um Hamrun Spartans-Hibernians às 16h15).

 

O preço, sete euros, não foi impeditivo, especialmente se considerarmos que dava para os dois jogos. De resto, a experiência não foi muito diferente de um jogo de escalões secundários em Portugal. Com um pormenor distintivo muito importante: aos sete minutos, a polícia identificou um adepto que – pelo que nos pareceu – insultou o árbitro e expulsou-o da bancada.

 

A dinâmica é muito semelhante. A maior parte dos adeptos – talvez uns 200 na nossa bancada – parecia ser familiar ou amiga dos jogadores e num dos cantos estava a claque, com cerca de 15 adeptos que pouco cantavam mas não davam grande descanso a um tambor.

 

Ao intervalo, a corrida ao bar é uma tradição. No nosso caso: um Ice Tea de limão, um Snickers e um Twix custaram 3,50 euros. Fazendo as contas, por 17,50 fomos os dois ver um jogo, alimentámo-nos (pouco saudavelmente, diga-se) e acrescentámos um jogo da liga maltesa à experiência.

 

Quantos se podem orgulhar de dizer que viram o Floriana, o primeiro campeão da história de Malta, a vencer o Pembroke por 2-1 ao vivo?



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